Ponto final

Ponto final

Não, não é a lotação da Zona Leste da capital com seus “pilotos”  a que o título se refere (embora tenha sido estranho viajar 1200 km neste feriadão e ver um acidente bem feio praticamente na porta de casa, onde já se costuma achar que está seguro- e o acidente envolvia uma lotação. Me explicando melhor, o acidente não foi comigo).
Vi no site da Superinteressante. Trata-se, na verdade, de um ônibus criado pelo governo chinês para executar os condenados à morte de forma “digna”.
O texto é curto e o link vai abaixo:
http://super.abril.com.br/revista/264/materia_revista_430269.shtml?pagina=1

O Metrô divulgou recentemente resultados de sua pesquisa Origem e destino. A pesquisa, realizada a cada 10 anos, “tem por objetivo o levantamento de informações atualizadas sobre as viagens realizadas pela população da metrópole em dia útil típico.(…)Os dados coletados possibilitam a caracterização dos deslocamentos diários e, por meio de modelos de simulação, permitem a projeção das viagens em horizontes futuros, para avaliação de projetos de expansão ou reestruturação da rede de transportes, seja por metrô, trem ou ônibus” (texto da página do Metrô).
O caderno metrópole do Estadão fez um especial com os resultados da pesquisa: matérias analisando os resultados da pesquisa, além de uma série de gráficos com dados para interpretação. Dizem que os números, sob tortura, dizem qualquer coisa,  mas ainda assim é interessante notar um aumento significativo no número de locomoções de bicicleta neste último período de 10 anos (gráfico 6 do Estadão): praticamente dobrou- embora é preciso deixar claro que, por ser tão pouco, o dobro continua sendo pouco- além das locomoções a pé, que superam as feitas por automóveis.
A pesquisa é bem complexa e possibilita várias leituras diferentes. Faço apenas uma, relativa a números de veículos particulares e ônibus. O gráfico 1 do Estadão mostra em números totais a presença de carros e ônibus nas ruas: São 23.754 ônibus e 263.346 carros. Percentualmente dá algo em torno de 91,7% de carros contra 8,3% de carros, excluindo os caminhões desse universo, por ser muito mais provável que viajem para transportar cargas pela cidade, não passageiros.  Já a tabela 8 mostra comparações nos números de viagens onde, apesar de tamanha frota de veículos particulares em relação aos ônibus, o número de passageiros realizando viagens diárias de carro não chega a ser em 2 milhões superior ao número de passageiros de ônibus- algo em torno de 10 milhões de passageiros de carro contra 9 milhões de passageiros em ônibus.

Fazendo umas contas…
Com umas regras-de-três e outras continhas,  dá pra pegar o número de carros e veículos e estipular a capacidade de transporte de cada modo: Se cada um dos 263.346 carros transportasse 5 passageiros (caso raro), apenas de carro seria possível transportar 1,3 milhão de pessoas.  Com os ônibus urbanos apenas da Sptrans (14.759 para fev/2009), com uma capacidade estipulada em uns 80 passageiros (número que varia desde as lotações até os articulados), teríamos 1,18 milhão. Considerando o que sobrou de ônibus dessa conta (total – SPTrans), quase 9 mil busões, sejam todos fretados ou similares (desconsiderando ônibus urbanos da EMTU), com capacidade de 40 passageiros cada, seriam quase 356 mil passageiros a mais (ou 0,35 milhão), dando aos busões vantagem de capacidade de transporte frente aos carros, com 1,53 milhão de lugares.
Muitas variáveis foram desconsideradas, mesmo assim dá pra ter uma idéia de por que vivemos no caos.

Outro gráfico
O gráfico 16 dá um bom motivo pelo qual existem tantos carros nas ruas, mesmo sendo este o tipo menos eficiente de transporte no cotidiano de uma metrópole. Enquanto as viagens em tranporte particular raramente chegam a duas horas de duração, as viagens em tranporte coletivo ainda têm quantidades significativas nesta faixa de tempo, e até mais, sendo as únicas que beiram a marca das três horas no gráfico.
É evidente que a fuga de um transporte público ruim para os carros foi a saída para quem pôde comprar um carro. O gráfico poderia ser substituído pela frase “de carro demora bastante, mas demora menos que de ônibus”.

*Deixo a dica das matérias do Estadão- estão boas, embora achei que pudessem estar melhores, mais realistas.
**Gostaria de saber por que é preciso ter CNPJ cadastrado (?!?!) no site do Metrô para ter acesso ao relatório do Origem e Destino.

Não faço propaganda do governo do Serra (ainda mais de graça, enquanto ele gasta alguns milhões em tv, rádio, sinal de fumaça…, já pensando em ser eleito presidente em 2010), mas fiquei embasbacado com a estação Alto do Ipiranga do Metrô. Vários níveis de escada rolante para ir da plataforma ao nível da rua (é literalmente um poço aquele lugar), e mesmo assim não aparenta ser um subsolo como as demais estações da linha que estão sob a cidade.
Muito bem iluminada a noite, deve ser melhor ainda durante o dia, com luz natural proveniente de uma cobertura de vidro. Também não tem aquele “bafo” quente de quase todas as outras estações sob a av. Paulista. Parece que os projetos das novas estações são bem melhores. É esperar 2010 para ver a linha amarela e o trecho Ipiranga- Vila Prudente da linha verde para confirmar. Isso se as obras não atrasarem (mais ainda). Mas será ano de eleição, provavelmente alguma coisa fica pronta.
Pra quem quiser, uma pesquisa no google com fotos da estação.

O que escrevo a seguir é um relato de como a chuva de hoje, 17 de março de 2009, alteraram meu dia e o de muita gente em São Paulo. Antes de mais nada sinto necessidade de dizer que em nenhum momento fiquei realmente nervoso com a situação em si ou com os obstáculos que foram surgindo. Também não fala muito sobre ônibus, mas de mais uma renúncia a qualquer tipo de transporte, porque qualquer um que estivesse hoje à minha disposição seria inútil. (mais…)

Exatamente um mês atrás saía, na Veja São Paulo, uma matéria chamada “Ônibus da discórdia”. Cito trechos: Os carros de luxo que circulam pelos 180 metros do trecho entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho da Rua Amauri, famosa pela alta concentração de restaurantes badalados, no Itaim Bibi, podem se livrar do fardo de dividir espaço com os ônibus. (…)O problema se agrava quando algum cliente de um dos catorze restaurantes da região estaciona o carro no meio da rua para entregar a chave aos manobristas. “Aí, os motoristas dos ônibus metem a mão na buzina e irritam quem quer comer com tranquilidade“, afirma Giliard dos Santos, funcionário da empresa de valet Golf Park. (grifos meus).
Dois dias depois outra matéria saía no Diário de S. Paulo:  Para mudar o itinerário para a Cidade Jardim, seria necessário alargar o cruzamento da avenida com a Rua Iguatemi, reduzindo o tamanho da calçada.
- Nós podemos até pagar por essa obra – sugere o dono do restaurante.
(mais…)

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