Desembarco do metrô no Belém por volta das 19 horas de uma quarta-feira. O terminal de ônibus no lado norte da estação tem filas para todo lado. Ou melhor, em todos os pontos. Para o ônibus que pego, sou surpreendido por uma fila tripla! eram três filas, a primeira delas enorme, esperando pelos ônibus, que também eram três.
Resolvo pegar a fila do meio das três. Mas logo vejo que o pessoal dessa fila pega lugar na fila da esquerda. Não acho uma boa idéia passar na frente de quem chegou há mais tempo e vou para o final da fila da esquerda.
Me distraio por um instante e quando olho para frente a fila da direita desapareceu e, com duas filas completamente paradas, entra no ônibus, ainda com bastante espaço, quem quer.
Saio da outra fila, entro no ônibus e pergunto para a cobradora o que acontece, e esta responde que as filas são de quem não quer ir em pé. Simples. O pessoal que foi esmagado de manhã para o trabalho porque não podia perder a hora, agora prefere esperar por um lugar sentado na viagem de volta para casa. Vou em pé num corredor cheio, embora longe da lotação das manhãs. Ainda prefiro chegar mais cedo em meu sofá.

Matéria do último dia 11 de junhopublicada no G1 tem como manchete o fato da ex-prefeita e pré-candidata às eleições municipais, Marta Suplicy, ter esperado 21 minutos pelo ônibus. Marta escolheu linha e horário e ficou 21 minutos. A situação foi ironizada pelo blog kibeloco (procurar na página porque não encontrei o link direto).
A candidata não pode reclamar do tempo de espera, e isso é fato. Esperei pelos menos uns 20 minutos por um ônibus que passasse pelo corredor Rebouças com destino à USP. Detalhe: são duas linhas fazendo o trajeto. Acabou passando um Butantã-USP 702-U.
Semana passada, na Praça da República, não pude pegar a mesma linha, vinda do Pq. Dom PedroII, porque estava lotada. Peguei o Cidade Universitária 7411-10, que passou logo em seguida, mas não sem antes ouvir outro passageiro no ponto perguntar se o 7411-10 havia sido desativado… Acredito que ele não tenha ficado menos de uma hora esperando pelo busão.
Esperar por horas (horas, no plural mesmo) para que o ônibus chegue ao ponto, num corredor exclusivo, como acontecia bastante tanto na gestão da Marta quanto de Kassab e Serra, é rotina para os paulistano.
Quando eu tiver certeza de que só precisarei esperar por 20 minutos para pegar um ônibus, ficarei bem mais satisfeito com o transporte da capital.

Não é incomum ouvir em uma conversa de bar um bate-papo sobre a ferrari, maserati, mitsubishi, suzuki, lamborghini e outras marcas famosas de carros. No entanto, quantas vezes você ouviu duas pessoas discutindo sobre a Busscar, Marcopolo, Caio Induscar, Comil Onibus?

Mas existe uma turma que faz questão de defender sua marca de ônibus favorita. Mais do que isso, os busólogos (como chamamos as pessoas apaixonadas por ônibus) transformam-se em pequenos especialistas sobre estas máquinas de transportar pessoas. Eles se interessam pelo formato dos chassis, motores e carrocerias dos veículos, estudam a evolução histórica da utilização do ônibus no transporte público e colecionam fotos, miniaturas e pinturas dos vários modelos que existem desde o século XVIII na Alemanha (apesar de vários países, em diversas épocas, solicitarem para sí o título de precursor do ônibus)

Os eventos, as publicações e as comunidades na internet especializadas neste público vem tendo um destaque cada vez maior. A internet permitiu a comunicação entre os amantes de ônibus das diversas regiões do país o que possibilitou a organização de encontros nacionais para troca de experiências. No ano passado foi realizado um Encontro Nacional de Busólogos em Belo Horizonte (veja o vídeo abaixo). No mês que vem teremos outro encontro bem mais perto de São Paulo, é o 8o BusBrasil Fest que vai ser realizado em Campinas.

E por falar em problemas de congestionamento de ônibus na parada Eldorado, tema abordado de relance no post abaixo, é bom relembrar uma notazinha saída no início desse mês em alguns meios de comunicação sobre a regularidade da construção do Shopping Eldorado e uma suposta relação com problema de congestionamento na parada de ônibus a sua frente.

Acontece que até o dia 6 desse mês, provavelmente até agora – estou checando isso – o shopping, bem como outros 6 pólos geradores de tráfego de São Paulo, não tinham o habite-se e o trad, documentos que dizem respeito às normas de segurança dos locais e as possíveis obras exigidas na região de sua implantação para a adequação do fluxo de trânsito. Tais documentos são exigidos, inclusive, para o funcionamento dos locais.

A matéria do dia 6 de junho da Folha de São Paulo, que levantou a lebre, não estabelece claramente uma relação causal entre o problema de tráfego na parada e a falta dos documentos do shopping. Mas como já vimos nesse blog, segundo Hugo Pietrantonio, professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP em entrevista a Daniel Fassa, o corredor da Rebouças apresenta o problema de falta de espaço para ultrapassagens. E um dos pontos mais críticos é o da parada Eldorado.

A questão não é recente, a lei que regulamenta o habite-se é de 2003, segundo a qual as edificações podem atuar com ‘imunidade’’ ao requererem um processo de anistia na prefeitura, enquanto a análise acerca da regularidade de suas construções não é feita pelas secretarias competentes. Ocorre que nesse ínterim já foram 5 anos. 

Outros pontos irregulares são os shoppings Iguatemi, Center Norte, Aricanduva, a universidade Uninove e o colégio Mackenzie. Apenas para se ter uma noção da magnitude das multas envolvidas, o recém-inaugurado Bourbon Shopping Pompéia foi multado em R$ 23 milhões por funcionar sem Habite-se.

Bom, a pauta está levantada [de novo], vou correr esta semana pra ver em que pé o assunto se encontra e se há relação clara entre a falta de habite-se e trad do shopping Eldorado e a estrutura da parada Eldorado. Caso algum internauta tenha informações pra adiantar, por favor, terei prazer em expor.
PS.: o link para o texto original da folha não está aberto, mas há a citação.

Já ouviram falar do Anjo da guarda? Se não ouviram, com certeza já devem ter escutado aquele apito dentro do ônibus quando o motorista aumenta a velocidade…
O “anjo da guarda’ é um dispositivo que limita a velocidade dos ônibus a 60 km/h nas ruas e a 50 km/h nos corredores. Se estiver funcionando corretamente, ele corta a tração do motor após esse limite. Além disso, ele impede que o carro ande com as portas abertas. O dispositivo é obrigatório desde início de 2007 e os ônibus que trafegarem sem ele estão sujeitos a multa.

Dessa forma, o dispositivo tenta evitar abusos de velocidade na cidade e acidentes nos pontos contribuindo para o aumento de segurança das viagens. O problema é que o anjo da guarda, ao que aparenta em alguns pontos, não foi desenvolvido para trabalhar num sistema caracterizado pela superlotação dos ônibus.

Em pontos assim – exemplo das paradas como Brigadeiro Faria Lima e Eldorado - o Anjo da Guarda contribui para alimentar um ciclo vicioso de congestionamento de ônibus e atraso nas viagens. O ciclo vai assim: nos horários de pico, o número de linha são insuficientes, bem como o espaço da parada e a largura da via – ex. da Faria Lima e Eldorado  >> isso faz com que o ônibus chegue a parada e fique superlotado >> mais passageiros desejam entrar, pois estão esperando a muito tempo >> o ônibus não pode sair pois fica com a porta aberta >> mais ônibus se acumulam na fila >> o tempo de espera aumenta, logo o número de passageiros no ponto aumenta >> e dessa forma o horário de pico é prolongado.

Trata-se também de uma questão de conscientização. Afinal é claro que andar com as portas do veículo abertas, com este superlotado é muito arriscado, portanto os passageiros deviam saber que não adianta insistir. Mas cadê o respeito por parte da administradora com o passageiro?… que fica no ponto esperando um engarrafamento de ônibus, via de regra superlotados e ainda tem de ceder seu tempo para uma próxima viagem, cadê?
PS.: E isso não é novo, inclusive, o problema já foi tratado pelo Diário de S. Paulo, não encontrei link aberto, apenas citação da matéria.

Finalmente fui conhecer o Fura-fila, PaulistãoExpresso TIradentes. Na tarde deste sábado (14 de junho), o movimento era apenas razoável. Os carros andavam com todos os bancos ocupados e poucos passageiros em pé.  Fiz a primeira viagem no sentido Terminal Sacomã, e pude ver que mais duas paradas, além das 5 ou 6 já em funcionamento, estão sendo construídas.
Os carros são articulados (Caio Mondego, automático, com motorização Mercedes para os entendidos), com piso baixo e bastante confortáveis e rápidos. A velocidade máxima é de 50 km/h- foi aumentada (era de 40 km/h) após a inauguração por não apresentar perigo (acho que a uns 60 ou 70km/h támbém não haveria problemas…).
Assim como este repórter que vos escreve, a maioria das pessoas no Expresso também só conheciam a situação dos ônibus aos sábados.  A reclamação maior foi pela alteração das linhas no Sacomã, e não propriamante pelo Fura-fila.
Para mim, ficou a impressão da obra feita sem muito planejamento. E isto ficou claro quando desci da Estação Pedro II do Metrô para embarcar no “Fura-fila”:  é preciso descer até o térreo da estação de metrô para depois subir para a estação de ônibus. As duas estações são elevadas mas não há uma ligação direta entre elas, é preciso descer até a rua e subir de novo!
Esta falta de planejamento fica ainda mais evidente quando, no caminho entre os dois transportes, é possíve ver a parte subterrânea do metrô Pedro II, uma estaçaõ praticamente pronta mas abandonada, sem linha.

***Assim que possível, disponibilizo os depoimentos dos passageiros e do motorista entrevistados neste sábado.

A partir de 2008, a ONG Nossa São Paulo - Outra Cidade, realizará, anualmente, uma pesquisa de opinião pública com os paulistanos para saber qual a sua percepção sobre a cidade e os diversos aspectos da administração pública.

A primeira edição da pesquisa, denominada “Viver em São Paulo”, foi realizada pelo Ibope entre os dias 5 e 14 de janeiro. Foram ouvidos 1.512 moradores em todas as regiões da cidade. Mais de 200 itens foram avaliados pela população, entre os quais limpeza, emprego, carreira, urbanização, meio-ambiente, inclusão, cidadania, lazer, cultura e, óbvio, locomoção.

Falarei aqui apenas dos resultados referentes a esse último aspecto, mas quem quiser ver a pesquisa completa (interessantíssima, diga-se de passagem) basta entrar no site da ONG ou clicar no link http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/157.

Numa escala de zero a dez locomoção em São Paulo recebeu uma nota média de 4,7, ficando à frente apenas de “cultura e lazer” e “inclusão e cidadania”, com 4,2 e 3,9, respectivamente. 54% dos entrevistados mostraram-se totalmente insatisfeitos com o transporte coletivo, contra 14% completamente satisfeitos.

Quanto à conservação e manutenção da frota de ônibus, 57% disseram-se totalmente insatisfeitos. 61% estão totalmente insatisfeitos com o tempo médio de espera nos pontos de ônibus. Veja alguns desses dados no gráfico abaixo.

E você, o que acha do transporte em São Paulo?

Pra quê gastar tanto dinheiro com um táxi até o aeroporto, se você pode ir de ônibus? A EMTU oferece aos usuários o Airport Bus Service, que possui uma frota de ônibus executivos e suburbanos operando entre os aeroportos de Congonhas e Cumbica.

Muita gente já viu diversos ônibus executivos trafegando em São Paulo. Para utilizar o serviço em um dos 22 veículos da frota, que possuem ar condicionado e poltronas reclináveis, o passageiro desembolsa uma tarifa de R$ 28,00. Os ônibus dessa linha partem do Terminal Barra Funda, Praça da República ou Faria Lima, com destino aos aeroportos, além de contar com um itinerário circular, que opera no circuito de hotéis em São Paulo.

Mas o que pouca gente sabe é que há uma alternativa muito mais barata: os ônibus suburbanos. Os oito veículos da frota são um pouco mais modestos que os executivos, mas com apenas R$ 3,40 é possível ir até Cumbica em poucos minutos. Os ônibus partem somente do Metrô Tatuapé, com destino ao Aeroporto Internacional. O intervalo de partida entre os ônibus costuma ser de vinte a trinta minutos.

Para maiores informações sobre o itinerário destas linhas, acesse http://www.emtu.sp.gov.br/aeroporto/

Desde dezembro de 2007, um ônibus movido a etanol está sendo testado em São Paulo. A iniciativa faz parte do Projeto BEST (BioEthanol for Sustainable Transport ou Bioetanol para o Transporte Sustentável), programa internacional cujo objetivo é sensibilizar o mundo para a importância do uso do etanol no transporte público.

Outras oito cidades da Europa e Ásia participam do programa: Estocolmo (Suécia), Madri e País Basco (Espanha), Roterdam (Holanda), La Spezia (Itália), Somerset (Inglaterra), Nanyang (China) e Dublin (Irlanda). No Brasil, primeiro país das Américas a ter ônibus movido a etanol em circulação pelo BEST, o veículo foi desenvolvido pelo Cenbio (Centro Nacional de Referência em Biomassa), sediado na USP.

Acompanhei a cerimônia de lançamento, no dia 23 de outubro do ano passado, e produzi, junto com o Danilo Regi, a matéira abaixo. Ela foi realizada como parte da disciplina de Telejornalismo, que estávamos cursando àquela altura. Assistindo ao vídeo, você conhecerá o ônibus e saberá um pouco mais sobre as vantagens e desvantagens do etanol.

O entrevistado é José Roberto Moreira, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP e coordenador do BEST no Brasil.

Oi pessoal, enfim as fotos do roteiro de ônibus ao Pico do Jaraguá (Linha: 8696/41-Praça Ramos/Jaraguá saindo lá da Praça Ramos). São mais de 40 fotos, a maioria do pico e algumas do caminho, o album completo está no flickr (http://www.flickr.com/photos/sponibus/tags/jaragu%C3%A1/) e os dados sobre o esse roteiro no post do dia 9 (http://sponibus.wordpress.com/2008/06/09/pico-do-jaragua-by-bus/).

 

 

Next Page »