A SPTrans anunciou no começo do mês passado a inauguração de um serviço de monitoramento on line do transporte público na capital paulistana. A idéia é proporcionar ao usuário a oportunidade de se programar em relação ao trânsito, buscando horários mais propícios para a sua viagem. O sistema ainda poderá ser útil para o usuário que precisa consultar o horário final de funcionamento de cada linha e o congestionamento nas vias (por meio de 500 câmeras espalhadas pela cidade).
Foram instalados computadores em todos os ônibus que enviam regularmente para a central de processamento de dados informações sobre o posicionamento do ônibus (se está no trajeto programado ou não), se o veículo está parado ou em movimento, velocidade média etc.
Mas uma particularidade dessa novidade toda me assustou um pouco. O susto veio neste trecho, que encontrei no site da SP Trans, que explicava o funcionamento do sistema:
“Em médio prazo, essas informações estarão associadas a outras que já são coletadas no sistema implantado para o Bilhete único, como número e identificação dos passageiros, obtidas a partir da conexão do validador com os centros de controle. Esses dados possibilitam melhorar a capacidade de planejamento do órgão gestor.”
A imagem que me veio de imediato foi a do “Big Brother”, criada por George Orwell, que se refere a uma sociedade controlada pela impressão permanente de vigilância. Logo em seguida me veio na cabeça tudo o que eu lí sobre a ditadura brasileira que chegou ao poder com o golpe de 64. O governo se utilizava de todo o aparato tecnológico disponível na época para investigar a vida particular, seguir e capturar todo os cidadão que supunha subversivo.
Quem garante que este sistema não seria usado da mesma forma? Enfim, qual é o potencial deste sistema de identificar em que horas o cidadão fez uso do ônibus, para onde ele vai e que horas voltou? Alguém com acesso irrestrito ao sistema teria condições de obter estas informações?
Não podemos afirmar que isso será feito, mas já está muito claro que tecnologicamente é possível este tipo de monitoramento hoje. Todo esse processo será feito por GPS (Sistema de Posicionamento Global), um padrão que identifica o posicionamento do ônibus dentro da cidade de São Paulo. Com a ajuda do identificador do bilhete único, que tem o cadastro do usuário, será possível então, a quem tem acesso ao sistema, monitorar a movimentação das pessoas, além do sistema de transporte público.
Talvez o “Sorria, você está sendo filmado” dentro dos ônibus mude para “Sorria, você está sendo monitorado”.
Já mandei um email para a SPTrans, no próximo post coloco a resposta…
Junho 5, 2008 at 1:56 pm
Entendo o medo, mas talvez seja um pouco de exagero… Imagina só que tipo de estrutura gigantesca (penso eu) não seria necessária para ficar um dia ou muitos dias monitorando um determinado cidadão ’suspeito’… acho ilógico. Me lembro do caso da lotação que caiu no buraco do metrô em Pinheiros. Identificar os passageiros do veículo pelo bilhete único teria sido de grande valia. Enfim, potencial de Big Brother a tecnologia até tem, mas eu prefiro não acreditar nisso ainda…
Junho 5, 2008 at 2:04 pm
Concordo contigo Dayanne, mas não posso deixar de mensionar que isso me lembra outro dia escutar o Heródoto Barbeiro se queixando do programa de desconto da nota fiscal, pra ele um meio possível de rastrear o cidadão paulista… o Big Brother do governo, ou plano anti-terror que nem os EUA – onde surgiram os primeiros rumores de algo assim – ainda instalaram.
Junho 5, 2008 at 7:07 pm
O problema não é se isso é possível ou não. Se não é agora, será um dia. Lutar para impedir esse tipo de cruzamento de informações é bobagem.
A questão é como tantos detalhes da nossa vida serão usados.