Não fiquei contente em ver um monte de ônibus e bondes estacionados no Museu do Transporte Público, e desci do metrô no meio do caminho…
Saindo da estação Bresser-Mooca e seguindo à direita após as catracas, acompanhando o muro do metrô, podem ser vistos os últimos vestígios de um veterano do transporte em São Paulo. Os trilhos, ainda no chão, são o caminho que o último bonde paulistano percorre aos domingos, entre a estação do Metrô e o Memorial do Imigrante.
O velho carro já não trabalha pesado como antigamente. Só anda aos domingos, passeando nos trilhos gastos. Nos bancos, crianças e adultos que não viveram nos tempos em que os bondes eram presentes em muitas partes de São Paulo.
Até 1968, ano da desativação do sistema, os trilhos se extendiam por centenas de quilômetros, quase dez vezes mais que o metrô possui atualmente. Para a última viagem de linha comercial, autoridades a bordo e matéria “New journalism” em O Cruzeiro (a matéria pode ser lida em um mural no Museu do Transporte Público).
Os atuais motorneiros vestem roupa e quepe antigos da CMTC e da São Paulo Railway. Trabalham voluntariamente para contar um pouco da história do transporte paulistano. Entre os voluntários está o Sr. Cecílio, aposentado como trabalhador da rodoviária e agora vendendo os bilhetes de passagem.
Cecílio explica que o bonde em que estamos andando não é paulistano “de nascença”, mas veio de Santos. Enquanto os bondes da CMTC eram vermelhos (apelidados de camarões), o nosso é verde. Além disso, o bonde já não é mais elétrico, como antigamente, agora é puxado por um motor de Fiat Tempra, que faz girar as engrenagens.
No fim da linha, de frente para o Metrô, uma palestra sobre o bonde e o agradecimento aos que pagaram 2 reais pelo ingresso, para a manutenção do carro. Na hora de voltar, não tem retorno. O encosto do banco é virado para o lado oposto, e o que era frente passa a ser traseira. O bonde retorna ao Memorial.
Além do bonde, o Memorial também tem passeios de Maria-Fumaça, também apenas aos domingos. O Memorial fica na Rua Visconde de Parnaíba, 1316. Mais detalhes do bonde, da Maria-fumaça e das outras atrações podem ser vistos no site http://www.memorialdoimigrante.sp.gov.br/
Mais imagens do Museu do Transporte Público e do bonde da Mooca em www.flickr.com/sponibus
Junho 6, 2008 at 1:23 pm
Já pensou se pudesse ser “ressuscitado” esse tipo de transporte? Cada percurso seria um passeio, um lazer e a gente chegaria menos estressado ao nosso destino.
Emanuel
Outubro 7, 2008 at 8:12 pm
Olá, adorei ler seu post em uma busca por pessoas que têm alguma relação com a Mooca. Se quiser contar histórias marcantes, saudosas, pontos de vista etc…
http://www.minhamooca.com.br/
Abs,
Dani Noyori
Outubro 18, 2008 at 1:00 am
O bonde elétrico e moderno é utilizado na maioria das capitais européias. O Brasil num retrocesso incrível mafializou o transporte público deixando nas mãos de empresas privadas e lotações, coisas típicas de países subdesenvolvidos como a Tailândia. O bonde elétrico e moderno (mais parece um trem = TRAMM) deveria voltar à circulação imediata. Baixo custo, menos poluição e mais conforto. Ao invés de construírem MAIS AVENIDAS (=mais caos) deveriam tomar vergonha na cara e trazer de volta esse ÓTIMO transporte!