Setembro 2008


Encontrei o senhor José sentado no banco do bonde Camarão. “Já andei bastante neste aqui. Subia a Angélica, ia para Pinheiros…” relembra o passageiro. Conversamos um bocado enquanto as crianças lá dentro queriam mexer nas poucas partes mais frágeis do bonde elétrico com interior quase todo em madeira, luminárias de vidro e botões de campainha elétrica em cada uma das colunas. “Não pode mexer aí!” reclamou a guia com a criançada fuçando no recipiente de vidro onde era guardado o dinheiro da tarifa. “aí também não!”, disse ela voltando-se para mim, quando eu e o sr. José tentávamos mexer na janela tipo guilhotina.

A exposição promovida pela prefeitura e montada no Parque do Ibirapuera sobre a história do transporte coletivo da capital esteve lotada na tarde deste sábado, 27 de setembro. O mais disputado dos carros para visita era o ônibus de dois andares, o fofão (ou dose dupla). Havia uma grande fila para entrar, e os visitantes tinham que ser rápidos lá dentro para conhecer o apertado piso superior do carro.

Mas deixamos a jóia para o final. Antes, subimos no confortável trólebus da CMTC e no ônibus modelo Monika, este quase todo forrado de estofamento azul, tanto os bancos como painel e até o capô interno do motor. “Vamos entrar pelo lado certo”, disse o sr. José, referindo-se aos diferentes lados pelos quais se entrava e saía dos coletivos em épocas diferentes. “Antigamente o pessoal entrava por trás, saía e não pagava. Eu mesmo já fiz isso!”, revelou outro visitante enquanto andávamos pelo Monika, cuja entrada era por trás.

Todos os veículos presentes puderam ser vistos por dentro, com exceção do Papa-móvel. Mas os modelos mais recentes (Padron, Mondego e Busscar trólebus), apesar de modernos, grandes, coloridos, não chamaram tanta atenção do público, possivelmente porque a maior parte das pessoas não passa horas muito agradáveis dentro desses veículos durante todas as outras semanas do ano.

Muitas fotografias (quase um rolo inteiro) depois, eu e o sr José resolvemos encarar a fila para o dois-andares. Ambos confessamos nunca ter andado num daqueles, mas a breve visita propiciou sabermos o barulho das pessoas no andar de cima, os bancos cinza parecidos com os dos vagões de metrô e pouca altura do teto, principalmente no andar de cima, onde todos precisavam andar curvados (no “térreo”, apenas eu raspei a cabeça…) Disse a ele que era o principal motivo para eu ter vindo, e parece que foi o principal motivo boa parte dos outros visitantes: horas depois, quando saía de uma exposição do MAC USP, às 17h30, ainda havia fila no dose-dupla.

Dentro do Mondego (articulado da Caio), encontrei Alex, um busólogo que monta miniaturas. Ele fotografava o carro por dentro com um telefone celuar, e me mostrou fotos de suas miniaturas. Espero em breve poder mostrar o trabalho dele aqui no blog. E ele não era o único. Muitas máquinas fotográficas também captaram os carros e os tótens com as informações. Alguns também anotavam textos, guardando as placas com informações.

Após um lanche (pago pelo sr. José, que nem me conhecia, mas fez questão de pagar, me deixando sem jeito- obrigado novamente!), voltamos para a exposição para ver o bonde de tração animal. Meu colega de visita não gostou do fato de apenas dois animais puxarem o carro onde viajavam pelo menos dez pessoas: “coitados dos animais, é muito peso para apenas dois”.

Este bonde de tração animal, apesar de ser uma réplica, não tinha isto explicado em seu tóten. Considerei uma falha, já que a exposição propôs uma retomada da história dos transportes, e não um parque de diversões. Um breve aviso não faria mal algum, pelo contrário.

Despeço-me do Sr. José pouco antes das 16h. Dou e-mail e endereço aqui do Blog, e garanto que, assim que reveladas, enviarei as fotos. Aos demais internautas, também será preciso esperar um pouco pelas imagens. Por enquanto publicarei apenas o postal recebido na exposição.
Lembro também que ainda há tempo para ver pessoalmente a exposição, que vai até este domingo, 28 de setembro.

Páginas relacionadas:
ônibus de dois andares
Los Guatemaltecos
São Paulo minha cidade
exposição:
SPTrans

Esse é o nome da exposição que está rolando esta semana no Parque do Ibirapuera. Li no Jornal do Ônibus sobre o evento, que é gratuito e vai até o dia 28 (domingo). A matéria no site da prefeitura promete vários carros, desde o bonde a cavalo até o busão articulado. Pena que boa parte dos ônibus e bondes antigos parece ter vindo do Museu do Transporte Público (as fotos da matéria da prefeitura são de lá), perdendo um pouco do ineditismo da exposição, para quem já conhece o museu. Ainda assim, o ônibus de dois andares é motivo mais que suficiente para uma visita, pois até onde sei não está no Museu. Os ônibus atuais completam a exposição, embora devam ser a parte mais “chata” para quem anda nesses modelos quase todos os dias.

Serviço
Memórias e Caminhos do Transporte
Parque do Ibirapuera – Arena de Eventos
De 22 a 28 de setembro de 2008
Horário: 2ªfeira, das 15 às 18 horas, 
                 3ª a 6ªfeira, das 8 h às 18 h 
                 sábado e domingo, das 8 h às 19 h
Informações sobre a exposição
no telefone 0800-7710118

Com informações do site da Prefeitura

Você, cidadão paulistano, com mais de 1,85m de altura, e usuário do transporte público da capital, está ferrado! Se você também acha que os ônibus que rodam em São Paulo não foram feitos para você, saiba que nós do blog Ônibus de São Paulo compartilhamos da mesma reclamação.

Os cidadãos mais altos que ficam em pé no ônibus estão naturalmente mais suscetíveis a perder o equilíbrio e cair em cima de outro passageiro durante uma freada ou uma curva. Questão de Física relacionada ao centro de gravidade do índivíduo, mas que pode ser compensada com uma maior facilidade em alcançar algum apoio dentro do veículo.

A altura do indivíduo se torna um pouco mais desagradável quando ele é obrigado a permanecer em pé num daqueles microônibus (lotações) cujo teto é baixo demais. Sobra para o pobre coitado dobrar o pescoço e torcer para não bater muito a cabeça, ou então a velha tática de ficar sob a clarabóia do teto, lugar em que é possível “se esticar”, pelo menos se a portinha estiver aberta…

Mas um belo dia a sua sorte muda: (mais…)