Ônibus tenta ultrapassar ciclista na Paulista,
mas a atropela e mata
Em dois dias, a repercussão desta notícia no E-group dos alunos de jornalismo da USP foi enorme. Tanto pelo fato em si quanto pelo modo como foi noticiado pela Folha Online. Para muitos, esta morte sequer seria noticiada, não fosse o trânsito causado na Paulista. É uma afirmação exagerada, sim, mas infelizmente bem perto da realidade.
Ônibus e bicicletas podem ser alternativas ao automóvel, mas acidentes como estes mostram uma cidade que não permite a convivência pacífica entre ciclistas e os demais meios de transporte. Alguns blogueiros desta página, eu incluso, vez ou outra pegamos nossas bicicletas para andar por aí. Inclusive na Av. Paulista. O que vejo, cada vez que saio, é um desfile de imprudência. Ciclistas sendo fechados por carros e por ônibus. O transporte mais frágil a utilizar as faixas de rolamento é o menos respeitado. Fui fechado por ônibus algumas vezes, por motoristas que colocaram em perigo inclusive seus próprios passageiros, me obrigando a passar entre o veículo e o ponto de ônibus enquanto passageiros embarcavam ou desciam.
Enquanto a mentalidade de que o maior ou o mais rápido mandam na rua, matando ciclistas, motociclistas e pedestres, enquanto o automóvel receber a idolatria que recebe, como símbolo de status, brinquedo de adulto, e enquanto a imprensa tratar uma morte violenta apenas como imprecilho ao trânsito da Paulista, cultivando uma cultura violentamente individualista, São Paulo não terá um trânsito decente para ninguém.
*Este blog manifesta seus sentimentos pela morte da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado

