Exatamente um mês atrás saía, na Veja São Paulo, uma matéria chamada “Ônibus da discórdia”. Cito trechos: Os carros de luxo que circulam pelos 180 metros do trecho entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho da Rua Amauri, famosa pela alta concentração de restaurantes badalados, no Itaim Bibi, podem se livrar do fardo de dividir espaço com os ônibus. (…)O problema se agrava quando algum cliente de um dos catorze restaurantes da região estaciona o carro no meio da rua para entregar a chave aos manobristas. “Aí, os motoristas dos ônibus metem a mão na buzina e irritam quem quer comer com tranquilidade“, afirma Giliard dos Santos, funcionário da empresa de valet Golf Park. (grifos meus).
Dois dias depois outra matéria saía no Diário de S. Paulo:  Para mudar o itinerário para a Cidade Jardim, seria necessário alargar o cruzamento da avenida com a Rua Iguatemi, reduzindo o tamanho da calçada.
- Nós podemos até pagar por essa obra – sugere o dono do restaurante.

As matérias são pequenas e recomendo a leitura completa.
Na semana passada a coluna de Mônica Bergamo mostrava o seguinte: (não achei link para o original)
CARGA PESADA
A SPTrans bateu o pé e negou o pedido dos moradores e comerciantes da rua Amauri, famosa pelos restaurantes caros, para tirar as quatro linhas de ônibus que circulam por ali. A empresa diz ter feito análise com a CET e afirma que os coletivos estão em “local adequado”. Os restaurantes reclamam de que os ônibus atrapalham os serviços de valet e buzinam na cola dos motoristas que param os carros.
BIG BROTHER
Paulo Morais, dono do restaurante Trindade e porta-voz da associação dos moradores e comerciantes da Amauri, diz que “todos” os restaurantes da rua já foram furtados. “Vamos instalar câmeras de segurança ao longo da via e na vizinhança, como na rua Peruíbe”, afirma. Segundo ele, “muitos estabelecimentos tiveram até TVs de plasma levados”. Outro plano é colocar lixeiras, bancos e fazer um paisagismo igual ao da Oscar Freire no lugar.

Tudo bem que eu nunca gostei da Veja, nunca achei a Folha aqueeele jornal, mas ninguém perguntou aos motoristas de ônibus o que eles achavam. Nem aos passageiros.
O tom da reclamação chega a ser irritante, principalmente numa cidade que sofre com o mal aproveitamento de sua malha viária, tendo a maioria das ruas ociosas durante todo o tempo, enquanto as principais avenidas não suportam o tráfego.
Outro ponto batido nos três textos são as infrações cometidas por quem pára em fila dupla, esperando pelo manobrista. Claro que não são os motoristas de ônibus que devem educar os demais condutores, mas todos sabemos a guerra por qualquer espaço em São Paulo. Pedir a modificação de  itinerários para continuar parando em fila dupla e “almoçar em paz” é um pouco demais. 
Por fim, gostaria de deixar explícita uma construção de significado que apareceu a mim (e outras pessoas que também leram) no texto da Folha: uma relação entre quatro linhas de ônibus na rua Amauri e o relato de que todos os restaurantes de lá já foram assaltados. Está escrito isto na matéria? não. 
Mas esta construção de significado não surgiu “do nada”, por assim dizer. Provavelmente uma aversão minha à atitude dos moradores e comerciantes de lá (que não deixam de estar exercendo seus direitos de reclamar às autoridades), gerando um preconceito. No meu preconceito, fazem isso por preconceito.
Não estou em cima do muro, ainda acho uma péssima proposta alterar as linhas, mas preciso entender e explicar como cheguei a uma opinião.

Encontrei um blog com críticas bem mais ácidas à proposta, segue o link:
Donos da rua acham que ônibus atrapalham valet, em Vá de Bike