Encontrei o senhor José sentado no banco do bonde Camarão. “Já andei bastante neste aqui. Subia a Angélica, ia para Pinheiros…” relembra o passageiro. Conversamos um bocado enquanto as crianças lá dentro queriam mexer nas poucas partes mais frágeis do bonde elétrico com interior quase todo em madeira, luminárias de vidro e botões de campainha elétrica em cada uma das colunas. “Não pode mexer aí!” reclamou a guia com a criançada fuçando no recipiente de vidro onde era guardado o dinheiro da tarifa. “aí também não!”, disse ela voltando-se para mim, quando eu e o sr. José tentávamos mexer na janela tipo guilhotina.

A exposição promovida pela prefeitura e montada no Parque do Ibirapuera sobre a história do transporte coletivo da capital esteve lotada na tarde deste sábado, 27 de setembro. O mais disputado dos carros para visita era o ônibus de dois andares, o fofão (ou dose dupla). Havia uma grande fila para entrar, e os visitantes tinham que ser rápidos lá dentro para conhecer o apertado piso superior do carro.

Mas deixamos a jóia para o final. Antes, subimos no confortável trólebus da CMTC e no ônibus modelo Monika, este quase todo forrado de estofamento azul, tanto os bancos como painel e até o capô interno do motor. “Vamos entrar pelo lado certo”, disse o sr. José, referindo-se aos diferentes lados pelos quais se entrava e saía dos coletivos em épocas diferentes. “Antigamente o pessoal entrava por trás, saía e não pagava. Eu mesmo já fiz isso!”, revelou outro visitante enquanto andávamos pelo Monika, cuja entrada era por trás.

Todos os veículos presentes puderam ser vistos por dentro, com exceção do Papa-móvel. Mas os modelos mais recentes (Padron, Mondego e Busscar trólebus), apesar de modernos, grandes, coloridos, não chamaram tanta atenção do público, possivelmente porque a maior parte das pessoas não passa horas muito agradáveis dentro desses veículos durante todas as outras semanas do ano.

Muitas fotografias (quase um rolo inteiro) depois, eu e o sr José resolvemos encarar a fila para o dois-andares. Ambos confessamos nunca ter andado num daqueles, mas a breve visita propiciou sabermos o barulho das pessoas no andar de cima, os bancos cinza parecidos com os dos vagões de metrô e pouca altura do teto, principalmente no andar de cima, onde todos precisavam andar curvados (no “térreo”, apenas eu raspei a cabeça…) Disse a ele que era o principal motivo para eu ter vindo, e parece que foi o principal motivo boa parte dos outros visitantes: horas depois, quando saía de uma exposição do MAC USP, às 17h30, ainda havia fila no dose-dupla.

Dentro do Mondego (articulado da Caio), encontrei Alex, um busólogo que monta miniaturas. Ele fotografava o carro por dentro com um telefone celuar, e me mostrou fotos de suas miniaturas. Espero em breve poder mostrar o trabalho dele aqui no blog. E ele não era o único. Muitas máquinas fotográficas também captaram os carros e os tótens com as informações. Alguns também anotavam textos, guardando as placas com informações.

Após um lanche (pago pelo sr. José, que nem me conhecia, mas fez questão de pagar, me deixando sem jeito- obrigado novamente!), voltamos para a exposição para ver o bonde de tração animal. Meu colega de visita não gostou do fato de apenas dois animais puxarem o carro onde viajavam pelo menos dez pessoas: “coitados dos animais, é muito peso para apenas dois”.

Este bonde de tração animal, apesar de ser uma réplica, não tinha isto explicado em seu tóten. Considerei uma falha, já que a exposição propôs uma retomada da história dos transportes, e não um parque de diversões. Um breve aviso não faria mal algum, pelo contrário.

Despeço-me do Sr. José pouco antes das 16h. Dou e-mail e endereço aqui do Blog, e garanto que, assim que reveladas, enviarei as fotos. Aos demais internautas, também será preciso esperar um pouco pelas imagens. Por enquanto publicarei apenas o postal recebido na exposição.
Lembro também que ainda há tempo para ver pessoalmente a exposição, que vai até este domingo, 28 de setembro.

Páginas relacionadas:
ônibus de dois andares
Los Guatemaltecos
São Paulo minha cidade
exposição:
SPTrans

Esse é o nome da exposição que está rolando esta semana no Parque do Ibirapuera. Li no Jornal do Ônibus sobre o evento, que é gratuito e vai até o dia 28 (domingo). A matéria no site da prefeitura promete vários carros, desde o bonde a cavalo até o busão articulado. Pena que boa parte dos ônibus e bondes antigos parece ter vindo do Museu do Transporte Público (as fotos da matéria da prefeitura são de lá), perdendo um pouco do ineditismo da exposição, para quem já conhece o museu. Ainda assim, o ônibus de dois andares é motivo mais que suficiente para uma visita, pois até onde sei não está no Museu. Os ônibus atuais completam a exposição, embora devam ser a parte mais “chata” para quem anda nesses modelos quase todos os dias.

Serviço
Memórias e Caminhos do Transporte
Parque do Ibirapuera – Arena de Eventos
De 22 a 28 de setembro de 2008
Horário: 2ªfeira, das 15 às 18 horas, 
                 3ª a 6ªfeira, das 8 h às 18 h 
                 sábado e domingo, das 8 h às 19 h
Informações sobre a exposição
no telefone 0800-7710118

Com informações do site da Prefeitura

Não fiquei contente em ver um monte de ônibus e bondes estacionados no Museu do Transporte Público, e desci do metrô no meio do caminho…

Saindo da estação Bresser-Mooca e seguindo à direita após as catracas, acompanhando o muro do metrô, podem ser vistos os últimos vestígios de um veterano do transporte em São Paulo. Os trilhos, ainda no chão, são o caminho que o último bonde paulistano percorre aos domingos, entre a estação do Metrô e o Memorial do Imigrante.O último dos bondes

O velho carro já não trabalha pesado como antigamente. Só anda aos domingos, passeando nos trilhos gastos. Nos bancos, crianças e adultos que não viveram nos tempos em que os bondes eram presentes em muitas partes de São Paulo.

Até 1968, ano da desativação do sistema, os trilhos se extendiam por centenas de quilômetros, quase dez vezes mais que o metrô possui atualmente. Para a última viagem de linha comercial, autoridades a bordo e matéria “New journalism” em O Cruzeiro (a matéria pode ser lida em um mural no Museu do Transporte Público).

Os atuais motorneiros vestem roupa e quepe antigos da CMTC e da São Paulo Railway. Trabalham voluntariamente para contar um pouco da história do transporte paulistano. Entre os voluntários está o Sr. Cecílio, aposentado como trabalhador da rodoviária e agora vendendo os bilhetes de passagem.

Cecílio explica que o bonde em que estamos andando não é paulistano “de nascença”, mas veio de Santos. Enquanto os bondes da CMTC eram vermelhos (apelidados de camarões), o nosso é verde. Além disso, o bonde já não é mais elétrico, como antigamente, agora é puxado por um motor de Fiat Tempra, que faz girar as engrenagens.

No fim da linha, de frente para o Metrô, uma palestra sobre o bonde e o agradecimento aos que pagaram 2 reais pelo ingresso, para a manutenção do carro. Na hora de voltar, não tem retorno. O encosto do banco é virado para o lado oposto, e o que era frente passa a ser traseira. O bonde retorna ao Memorial.

Além do bonde, o Memorial também tem passeios de Maria-Fumaça, também apenas aos domingos. O Memorial fica na Rua Visconde de Parnaíba, 1316. Mais detalhes do bonde, da Maria-fumaça e das outras atrações podem ser vistos no site http://www.memorialdoimigrante.sp.gov.br/

Mais imagens do Museu do Transporte Público e do bonde da Mooca em www.flickr.com/sponibus

A primeira máquina que vejo é de 1963. Mas não é nenhum ônibus, vagão, bonde ou coisa do tipo. A máquina em questão é de costura mesmo, uma Singer, utilizada nos bancos de ônibus da Companhia Municipal de Transportes Coletivos, a CMTC.

O Museu de Transporte Público “Gaetano Ferolla” é na verdade um museu dedicado à antiga CMTC, criada em 1946 para ser monopólio no transporte urbano da capital. O nome do museu é em homenagem ao seu criador, interessado em manter viva a história bondes e ônibus que rodaram pelas ruas da cidade.

O que se vê nas salas é basicamente o mobiliário e o maquinário da CMTC e de sua principal antecessora, a São Paulo Tramway Light and Power Company Limited.

Instrumentos de medição diversos, telefones, mesas e fotografias servem de aperitivo para aqueles que querem mesmo é ver os velhos transportes: bondes de tração animal, elétricos, trolebus e ônibus Diesel. Os carros, bem conservados, parecem mostrar uma São Paulo mais amigável em outras épocas. Grandes bancos laterais, de espuma, para quatro ou cinco pessoas, deixavam alguns daqueles carros com um ar de sala de visitas.

Junto aos avós e tios dos busões de hoje, alguns veículos de serviço da prefeitura em épocas passadas. Lado a lado, um velho ônibus e um Ford Landau.

O Landau perde em comprimento para o ônibus por coisa de um metro, ou um pouco a mais. Na largura também estão pau-a-pau (ambos não cabem nas faixas da Radial Leste perto do Centro da cidade), mas a diferença maior está no número de passageiros: Se não contarmos passageiros pendurados na porta de um ou vítimas de seqüestro no porta-malas de outro, o ônibus bate o Landau por uns 60 a 6. Dez vezes mais gente, pelo mesmo espaço na rua.

O Museu, infelizmente, não conta com novas peças a algum tempo. E parece não ter nem espaço para mais coisa. Também não há visitas monitoradas aos domingos, para dar informações adicionais às placas desatualizadas.

Da visita realizada neste 4 de maio, ficou a sensação de que a história do transporte público paulistano sofre da mesma falta de atenção que o sistema de transporte da cidade sempre sofreu.

Ainda assim vale a pena conhecer o Museu do Transporte Público. Ele fica na Av. Cruzeiro do Sul, 780 (é pertinho do metrô Armênia e não deve ser muito fácil estacionar por lá, então largue sua carroça em casa!). A entrada é gratuita. O telefone do Museu é (11)3315-8884. Conheça o site  do museu clicando aqui.

***Em breve serão postadas fotografias do Museu***   
 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.